Archive for the ‘Crônicas’ Category

Buscando o sucesso

sábado, junho 28th, 2008

Certa vez ouvi dizer: “Sucesso é o encontro da capacidade com a oportunidade”. Passei a acreditar nisso. Embora para algumas pessoas tenha bastado apenas a oportunidade.

Conversando com um amigo do interior de São Paulo, via MSN, ex-companheiro de patrulhamento na ROTAC, ouvi suas reclamações: “Fico o dia inteiro pensando em uma forma pra acertar a vida, mas não tenho encontrado”. Honesto e trabalhador, meu amigo se referia a idéias que pudessem render-lhe um bom dinheiro, como a que viu na TV onde colocaram poemas no papel higiênico.

Costumam atribuir sucesso a quem consegue amealhar uma boa importância com o que faz, porém terá uma vida pródiga em satisfação quem descobre que as pequenas coisas realizadas, independente do retorno financeiro, são sinônimos de vitória.

Outro conceito errado é o de buscar a confirmação da sua conquista por meio do feedback do público. Para ser bem sucedido não é necessariamente preciso ter reconhecimento das pessoas. O que vale é a sua consciência de que está fazendo uma coisa que te dá prazer. Se alguém te aplaudir por isso, ótimo, caso contrário, você já conseguiu o seu intento, que é proporcionar-lhe a satisfação de fazer o que faz.

O sucesso é saboroso e todos desejam conquistá-lo. O melhor a fazer é ter desejo e prazer nas realizações, assim, se vier, o sucesso será conseqüência.

Bombeiro generoso

quarta-feira, junho 25th, 2008

Ao saber que um casal e seus cinco filhos estavam morando debaixo de uma lona, por terem perdido a sua casa num incêndio, o sargento Genildo de Souza, do Corpo de Bombeiros de Gravataí/RS, resolveu doar uma casa nova de madeira.

Essa matéria, que acabei de ver no site do Uol, nos deixa orgulhoso por saber que – além da dedicação durante o trabalho – nosso colega também é sensível em relação à dor do seu semelhante.

Traído ou traidor?

quinta-feira, maio 22nd, 2008

César é imigrante peruano no Brasil, há 9 anos. Veio com mulher e duas filhas. Aqui, teve um deslize e arrumou um filho fora do casamento. Agressivo, obrigou Rosa, a esposa traída, a cuidar do bebê. A mãe do menino também aceitou, sob ameaça. Tempos depois, acalmado os ânimos, o casal teve mais uma filha.

O casamento, que nunca esteve bem, piorou. Foi quando optaram pela separação. Rosa ficou com as três filhas e mais o menino, fruto da traição do marido.

Com aproximados 35 anos, ela faz artesanato para conseguir algum dinheiro e sustentar a casa. Eles moram na Cohab Novo Mundo, no Parque Novo Mundo. César aparece de vez em quando para trazer algum dinheiro. Ele também é artesão e faz tatuagens. Katherine, a filha de 15 anos diz que ele ficou um pouco carinhoso depois que separou da mãe, contudo, durante o período que moravam juntos batia em todos. “Ele era muito ciumento”, fala.

Anteontem, terça-feira (20), por volta do meio dia, César foi à casa da ex-mulher. As filhas estavam na escola. Rosa estava apenas com o menino de 9 anos. César chegou bravo. O motivo, a gravidez de Rosa, há 5 meses. Armado com um revólver 38, efetuou vários disparos. 2 atingiram a ex-mulher. Ela correu. Ele foi atrás, desferindo-lhe socos. Após pular uma janela, conseguiu fugir. O menino a acompanhou. A mulher foi socorrida pelos vizinhos enquanto César se trancou no apartamento ameaçando se matar.

Os policiais do 5º BPM/M perceberam a gravidade. Pouco tempo depois o GATE já estava no local. A negociação virou a noite.

Onze da manhã de ontem. A imprensa se acotovela para conseguir a melhor imagem. O local foi isolado. Entram apenas moradores dos apartamentos daquela rua. Prosseguem na negociação os tenentes Zólio, Schiavo, soldado Mileni e capitão Giovaninni. O Tenente Coronel Depieri e o major Marin acompanham a distância. César está transtornado. Ele mantém a arma apontada para si. Faz exigências desencontradas. Para piorar o quadro, está ingerindo conhaque.

Como havia ligado para um amigo pedindo um advogado, aparece Márcio com o doutor Maia. Ele é cabeleireiro no bairro. Os policiais orientam a sua fala e vai colocá-lo na janela para conversar com César. O advogado também é orientado. Cada detalhe é combinado para que César possa adquirir confiança e se entregar. Pouco depois eles voltam. Não houve acordo. Ele quer um advogado da Praça da Sé.

No apartamento acima aos acontecimentos, a filha Katherine acompanha atentamente. Esforça-se pra ouvir o que o pai diz aos policiais. Ela não deseja que ele faça besteiras, mas está magoada com o que fez à mãe. “Minha mãe contou que ele a engravidou quando esteve na casa dele para pedir dinheiro. Agora está achando que é filho de outro, ela não tem ninguém, pode perguntar pras pessoas aqui”, explica.

O sol está quente. No apartamento de frente um adolescente começa ouvir musica eletrônica em alto volume. Os policiais solicitam que desligue. César está sem comer e sem dormir a 24 horas e ingerindo bebida alcoólica. A música alta deixava o clima mais tenso, poderia prejudicar as negociações.

O relógio marca 13h16. Apesar da insistência dos negociadores para que responda, César permanece em silêncio. São quase 5 minutos sem falar nada. Os policias se reúnem e mudam a estratégia. Logo anunciam pela janela que sua filha mais nova quer falar com ele. Então responde recusando-se a atender. Isso permitiu uma nova seqüência de conversação.

Num canto, aguardando os próximos acontecimentos, o advogado, Dr Maia, pensativo, dá mostras de que está nervoso. “Eu não estou acostumado com essas cenas, ver ele com a arma apontada para o próprio corpo me deixou emocionado”, confidencia.

Katherine comenta que está gostando do trabalho dos negociadores, mas teme pela decisão do pai. “Se os policiais falarem alguma coisa que não goste, ele se mata”, afirma com a convicção de quem conhece o seu temperamento.

Os membros do GATE intercalam a fala com César entre a rigidez e a suavidade. “Mostre para suas filhas que você é capaz. Diga: errei, mas vou pagar pelo que fiz e recomeçar a vida”, fala um oficial para ele. César pede para o policial dizer às suas filhas que ele é um bom homem.

Ebony, a filha mais velha de 16 anos, está no apartamento de uma vizinha cuidando de seus irmãos. De vez em quando aparece na janela e dá uma olhada, mas por pouco tempo. Quem não perde cada passo da negociação é Katherine.

De dentro do apartamento César fala mais alto. Sua voz é chorosa. Culpa a mulher pelo acontecido. Parece não conseguir concatenar as idéias. A tensão é maior. Os policias procuram acalmá-lo. Embora também cansados, demonstram serenidade na condução das negociações. Usam todas as técnicas que dispõem para contornar a situação.

O panorama começa a melhorar. César, pela primeira vez, aproxima-se da janela para falar com os policias. Permanece com a arma apontada para si. Ganhou a promessa de que virá um novo advogado, de sua confiança. Então começa falar mais calmo. Já dá sinais claros de cansaço. O desfecho parece estar próximo.

Chega outro advogado. O gerente da crise avalia e consente que seja levado à presença de César. Com a resistência já minada, às 14h50, entrega-se.

Do hospital chega a notícia, Rosa não corre risco de morte. O bebê também está bem. Ebony e Katherine decidiram, vão procurar um emprego. Enquanto César terá um tempo pra refletir… Na prisão.


Texto de minha autoria, publicado originalmente ontem (21), no site da PMESP, no link Legião de Idealistas. Estive no local dos fatos e acompanhei de perto o drama dessa família.

Trocando a vassoura pelo orkut

segunda-feira, abril 28th, 2008

Regularmente a praça coronel Fernando Prestes é lavada. Os funcionários da prefeitura chegam, ligam uma mangueira eletrizante e chuááá… Começam o trabalho. Isto é muito bom, pois, como em toda praça, moradores de rua se alojam nesses locais a noite para dormirem e, sem o devido cuidado com a higiene, acabam deixando com um mal odor.

O problema é que o trabalho é realizado todos os dias pontualmente às 12h30. Exatamente quando estudantes e trabalhadores estão aproveitando o frescor produzido pelas árvores, após o almoço, e recuperando as energias para o período da tarde.

Indaguei um gari sobre o procedimento e ele me disse que a ordem vinha da Subprefeitura Municipal da Sé.

Liguei para a subprefeitura e falei com o senhor Mário, que tem o cargo de vistor (não entendi direto o nome do cargo, mas na explicação entendi ser o responsável pelos serviços), e, gentilmente, informou que eles usam uma água reutilizada e que vem com desinfetante. O mais importante, disse que tomará providências para que seja feito o serviço em outro horário.

O que me deixou satisfeito nesse episódio foi saber que, como na Polícia Militar, os órgãos públicos estão conscientizados sobre a necessidade de um pronto atendimento ao consumidor.

Observei um fato interessante durante o trabalho dos garis. Enquanto dois faziam o serviço outros estavam tirando fotos com o celular - um dos outros - para colocar no orkut. Como tenho me ocupado nas horas de folga a ser um apreciador das cenas urbanas, saquei meu celular e também fiz uma foto para postar no blog.

Com essa evolução galopante da informação e da tecnologia, em breve os garis estarão evoluindo para o blog.

Abaixo postei um vídeo sobre a bonita praça Coronel Fernando Prestes, na Luz. O final da panorâmica da praça termina mostrando o prédio amarelo da Rota, na avenida Tiradentes.

O carvão e as pessoas

quinta-feira, abril 24th, 2008


Passo pela Praça Coronel Fernandes Prestes há 18 anos. Ela fica na frente do quartel do comando geral da PM, em São Paulo. Estava sendo transferido da Rota para a PM5, quando por lá passei pela primeira vez. Não me recordo, mas certamente não prestei a devida atenção em sua beleza. O foco estava na nova Unidade que iria trabalhar, logo, a concentração estava direcionada.

Hoje cheguei para o trabalho por volta das 07h40. Muito cedo para o início do expediente. Passei na padaria, pedi um pingado e um pão com manteiga, enquanto assistia pela TV o jornal matinal.

Faltavam 5 minutos para as 8 horas. Decidi entrar para o quartel, embora ainda fosse cedo, o que me obrigaria disputar espaço com os colegas no acanhado alojamento.

Ao iniciar a extensa travessia da praça percebi que corria o risco de ter que ficar na posição de sentido, pois a guarda do quartel já se posicionava para o hasteamento da Bandeira Nacional. Optei por esperar num canto afastado.

Sentado no banco da praça comecei observar detalhes que até então não tinham chamado minha atenção. As pessoas transitando. Os estilos mais variados. As fisionomias. Olhei para cima. Vi as folhas das árvores numa perspectiva bem interessante. As pessoas entrando no quartel. Os policiais da guarda marchando em “trenzinho”, após a formatura. Assistia a tudo com a calma de um veterano. Não estava aflito ou ansioso pelo novo dia de trabalho.

Quando o relógio marcou 8h18 decidi entrar. Calmamente percorri o trajeto em passos cadenciados. Cadência lentíssima, claro. À distância, fui cumprimentando os colegas.

No corredor do alojamento vi três companheiros de trabalho. Conversavam animadamente. Ao me aproximar, estendi a mão ao primeiro e o saudei. Só olhou para mim após estar segurando a minha mão. Os demais também me cumprimentaram, sem grandes emoções. Entrei no alojamento ouvindo prosseguirem na conversa, com o mesmo clima animado. Pensei, a convivência diminui o interesse. Não me importei, mas comecei pensar sobre as motivações das pessoas.

Ontem estava ouvindo uma pessoa do meu convívio reclamando que foi recebida friamente no antigo emprego onde era chefe e “amada” por todos.

Quando lancei o CD “De Polícia”, em 2000, ocupei espaço na mídia por um bom tempo. Quando chegava a lugares, era reconhecido por ter aparecido na TV, ou por alguma matéria no jornal. Nessa época, até quem não tinha amizade comigo arrumava pretexto para puxar um assunto. Era a curiosidade de saber um pouco sobre a pessoa que estava em evidência. Cheguei receber ligações de colegas que não tinha notícias há anos.

A mudança de prioridade na minha vida está me conduzindo a essas reflexões. Estou me sentindo muito bem. A maturidade aquieta a alma. Facilita entender e aceitar as regras da vida, tornando-a mais prazerosa.

Ao final da minha introspecção cheguei as seguintes conclusões: ter menos pressa e preocupações possibilita viver com mais qualidade. É como tomar uma sopa na temperatura ideal. Fica mais saborosa. Sobre o interesse das pessoas, descobri que a brasa que não está na fogueira se apaga. É assim também nas relações.

A terra tremeu

quarta-feira, abril 23rd, 2008

Eu achei que estava zonzo, ou algo parecido. Era 21h00 mais ou menos. Havia chegado do quartel e decidi ficar na sala assistindo o telejornal. Estava deitado de lado, com a cabeça encostada na mão. De repente senti o meu corpo indo pra frente, quase caí do sofá. Assustado, levantei pensando que era algo comigo. Aí, piorou porque tremeu de novo e fiquei sem sustentação… Rapidamente fui ao quarto e a minha mulher confirmou ter sentido o tremor. O fato de morarmos em um prédio muito alto aumentou o balanço da edificação. Pouco tempo depois veio a confirmação do terremoto.
Tomara que não haja outros, não é nada agradável.

Mulher, uma flor.

terça-feira, abril 22nd, 2008


No princípio era apenas uma costela, então, o Criador decidiu fazer dessa costela uma mulher. A partir daí começou a sua evolução, que se iniciou como adjutora e que hoje ocupa inclusive os postos mais elevados de uma nação.

No passado ela foi heroína na luta pela igualdade de direitos. Superou todos os reveses preconceituosos que a queria deixar inferiorizada. A sociedade arcaica resistiu para reconhecê-la. Sempre relegada ao papel de coadjuvante, precisou conquistar o respeito das pessoas por meio de muito trabalho e ousadia. Em alguns casos até com o sacrifício da própria vida.

A decantada alma feminina, que faz da mulher um ser sensível e meigo, capaz de se entregar ao seu amado e se dedicar aos filhos, também trás nos “opcionais de fábrica” a garra e a força dos grandes vencedores. Por isso ela - a despeito de ter sido marginalizada quando quis se posicionar na sociedade – chegou ao status atual, com gás de sobra, que sinaliza não ter esgotado sua capacidade de evoluir.

O seu potencial está evidenciado no mercado de trabalho pela capacidade de realizar as tarefas que até então eram destinadas aos homens.

Na política mundial elas despontam competindo com os homens e, em alguns casos, até ganhando, com a firmeza de grande líder.

Pesquisas recentes indicam que cresceu a participação de mulheres nos postos de trabalho nas melhores empresas no Brasil, incluindo cargos de chefia.

Na cenário nacional sua participação na política vem aumentando gradativamente. Hoje temos no país 4 ministras, 10 senadoras, 3 governadoras, 56 prefeitas e tantas outras nos demais cargos.

Até no militarismo, que tradicionalmente era reduto masculino, as barreiras estão definitivamente suplantadas.

Na PM paulista, que iniciou com 13 mulheres, hoje já são 10% do efetivo, em condições de realizar todas as atividades.

O reconhecimento da Corporação ao trabalho da mulher ficou evidenciado ao homenagear a primeira comandante do policiamento feminino, coronel Hilda Macedo, dando seu nome ao Comando de Policiamento de Área Metropolitano 3.

Em Rondônia uma mulher conseguiu o mais alto posto e tornou-se a comandante geral da polícia militar daquele Estado. Na Força Aérea Brasileira temos mulheres pilotando os aviões caças. Diante de todas essas conquistas fica claro que para a mulher o céu não é o limite.

Para atingir esse nível de evolução a mulher teve que superar até mesmo características da sua natureza. Teve que segurar os sintomas dos incômodos femininos para não ser vítima de clichês, nervos de aço, quando a vontade era de sentar num canto e chorar e decidir com firmeza em situações que sua emoção queria te trair. Por isso a sua vitória é mais saborosa, as exigências foram maiores.

A suavidade da pétala de uma rosa pode ficar vulnerável a quem tem a intenção de extraí-la, pois sua essência não é oferecer resistência, antes prefere oferecer o seu perfume; mas também não tem desejo de ser despetalada, por isso tem caule forte e com espinhos. Assim é a mulher: linda, perfumada e encantadora. Presta-se a ocupar o seu lugar na história com a força do seu trabalho. Sensível ao ponto de ser confundida como frágil, mas com estrutura firme que serve de esteio para suas conquistas. É essa mulher que os homens estão começando a conhecer.