Archive for the ‘cotidiano’ Category

Ensino vira caso de polícia

quinta-feira, novembro 13th, 2008

Eles deveriam confraternizar-se nas horas vagas, como é comum entre os alunos nos intervalos das aulas, mas estavam engalfinhados e se agredindo por motivos débeis. Era esse o quadro de uma escola no Belenzinho, Zona Leste da cidade, quando a PM foi solicitada, ontem pela manhã.

Além das agressões, também quebraram objetos e dependências daquele estabelecimento de ensino, numa selvageria injustificável.

Na reportagem da TV, os “anjinhos”, reclamavam da direção da escola por ter solicitado o apoio da PM que, segundo eles, andou distribuindo uns safanões. Diziam que era um assunto para ser tratado com os pais. Depois, algumas mães também deram entrevista, e foram unânimes em dizer que não era caso de polícia. Uma, inclusive, fez o maior drama, colocando seu filho como vítima das instituições de ensino e policial.

Confesso que fiquei muito indignado com aquelas mães. Ficou bem claro pra mim que elas têm responsabilidade direta naquela má atitude de seus filhos, por serem demasiadamente permissivos. Além de não ensinar boas maneiras, também endossam seus comportamentos anti-sociais.

Ainda estava na frente da TV, e não tinha conseguido digerir a notícia que acabara de ver, quando a minha esposa chegou do trabalho. Ela é coordenadora de uma escola municipal. Ainda fechando a porta, me deu a notícia de que havia sido ameaçada. Uma aluna, que se comportava mal, não gostou de sua intervenção e reuniu algumas colegas na porta da escola para agredi-la. Para sair, teve que pedir apoio da Polícia Militar.

Não me vejo em condições de discutir o ensino no país, mas, como policial posso falar de segurança e, sem dúvida, o ensino hoje é caso de polícia. Acredito que em breve, se as coisas continuarem como estão, será exigido nos concursos públicos para o magistério conhecimentos de guerrilha urbana e outras especializações policiais.

Ouvindo relatos dos professores, concluo que combater o crime nas ruas é uma tarefa mole, perto do que esses profissionais enfrentam em suas salas de aula.

A lei de Gérson

terça-feira, outubro 28th, 2008

Em 1976 o jogador Gérson, que esteve na seleção brasileira de futebol na conquista do título mundial de 70, no México, participou de uma propaganda de cigarros onde ele pronunciava a frase “Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”. Então, querer levar vantagem ficou conhecido como “Lei de Gérson” .

Estive em Niterói/RJ na semana passada, que por coincidência é a cidade do Gérson, e presenciei uma cena típica de quem gosta de levar vantagem de forma desonesta. Numa lanchonete que entrei para comer, alguns homens bebiam cerveja. Era final de tarde. Enquanto degustava meu lanche, reparei que uma pessoa deu um dinheiro ao garçom de forma discreta, tomando o cuidado para que o dono do estabelecimento não percebesse. Ele rapidamente colocou no bolso disfarçadamente e continuou servindo aquelas pessoas. Era uma propina para que o funcionário não computasse todas as garrafas que eles iriam consumir.

Dias depois eu estava em Angra dos Reis/RJ e vi outra situação desonesta. Aproveitando-se de que o ônibus estava praticamente vazio, o cobrador propôs a uma moça que pagasse meia passagem e descesse pela porta da frente, evitando, assim, a necessidade de rodar a catraca. Com isso ele embolsaria aquele dinheiro. Ela aceitou.

Nos dois casos mencionados a “vantagem” adquirida era pequena. Coloquei a vantagem entre aspas porque não acredito que haja qualquer lucro para quem comete esses delitos. De uma forma ou de outra ele pagará por essa atitude. Às vezes, em preços altíssimos.

Confesso que não consigo entender o que motiva os autores de pequenos delitos. Fica mais fácil entender a motivação dos grandes, embora ambos sejam atrasos de vida.

Por incrível que pareça, esse desvio de conduta é mais comum que a gente pensa. Acontece no dia a dia. No trabalho, por exemplo, sempre tem aquela pessoa que é conhecida por atitudes desonestas. Compra um número de rifa e não paga; participa das “vaquinhas” pra comprar o lanche da tarde, mas nunca comparece com a sua parte; vai ao happy hour e não paga nada. Se os pedidos são feitos e anotados nas comandas, nunca pede nada na sua e fica bebendo no pedido dos outros etc.

O pior de tudo isso é que geralmente são pessoas que gozam de boa reputação entre seus colegas e, numa oportunidade que têm para confirmarem ser dignas de confiança, jogam tudo fora em troca de alguma vantagem. Estragam suas histórias por causa da maldita “Lei de Gérson”

Robocop não é homenagem aos policiais

segunda-feira, setembro 22nd, 2008


A primeira vez que ouvi a música Robocop, do baiano Marcelo Nova foi no blog Diário de um policial militar. Ela estava relacionada como uma música quase a favor da polícia. Não só ouvi a melodia como também li a letra, para prestar mais atenção em sua mensagem. Não consegui ver nada a favor.

Hoje recebi uma sugestão de uma amiga do Orkut para que assistisse ao vídeo da música, que foi postado no Youtube.
Mais uma vez fique prestando atenção
na mensagem que a pessoa que fez o vídeo queria passar e mais uma vez fiquei sem entender essa confusão. Então decidi escrever esse post para sinalizar os absurdos que a música diz e que não perceberam, por isso estão utilizando-a para homenagear aos policiais.

No início ele diz que “fugia da escola pra ir ao cinema”. Observe que nada é dito por acaso. Está sugerindo aqui que o policial não tem intimidade com o saber, a cultura, o conhecimento.

Mais a frente diz: “eu só prendo mendigo, então pivete ou viado”, ou seja, somos fortes apenas com os mais fracos,
que é o caso da criança; os
desamparados, que são os mendigos; e, ainda, somos homofóbicos,indicando o
preconceito contra os homossexuais.
Sugere que somos corruptos na frase “Guardo uma grana arrochada na sola do
meu coturno”. “As vezes sinto vergonha da minha corporação”. Se a corporação não é motivo de orgulho para um policial, significa que não deve ser boa. “Eu amedronto as pessoas a quem devo proteger - Pensam que sou inimigo procuram se esconder - O meu andar assusta, o meu olhar intimida” essa seqüência desobriga qualquer explicação. “Recebo ordens de doido, doidos por ordens da lei - Mas mesmo fora deordem, ordens são ordens eu sei”. Quer dizer, se as ordens que recebo vem de uma pessoa insana, coitado do povo. E tem mais, embora detecte que a ordem éabsurda, ele cumpre.

“Na esquina da Ipiranga onde cruza a São João - Tudo se move e acontecemenos no meu coração”. Mostra um policial insensível, frio e sem sentimentos.

“Meu pai não estava careta quando sangrou minha irmã - Depois me beijou natesta, me disse até amanhã - Então sumiu do planeta nas asas de umcaminhão - Mas ainda vou encontrá-lo, vou lhe dar voz de prisão” Nessa partefica clara a desestrutura familiar. Uma pessoa com uma base dessa teria muita dificuldade psicológica para exercer a atividade policial.

Nessa parte da música não consegui detectar a mensagem, se puderem meajudar, agradeço. “Eu chorava no quarto
quando chegou a TV - Mas não
disseram a verdade e nem mostraram porque - Minhas mãos banhadas de sangue,
minhas mãos lavadas no horror - Pensaram que era outro filme,
chamaram o patrocinador”

Mas, a frase seguinte eu entendi claramente e contraria toda ação policial. O Método Giraldi está aí para confirmar o que digo. “Por isso eu sempre atiro, que é pra depois perguntar”

Então minha gente, fica difícil aceitar essa canção como homenagem aos policiais.

Ferréz, qual quartel você serviu?

domingo, setembro 21st, 2008

Estava trocando os canais nesse domingo, por volta das 16h00, quando decidi parar no canal 11 da Net. O Canal Universitário apresentava o programa Referências, produzido pela Uniban.

O entrevistado, tido como sendo representante da periferia, falou a maior parte dos 60 minutos de programa, que foi intercalado com depoimentos de seus amigos e admiradores. Ferréz, o seu nome.

Por já ter visto ele algumas vezes na mídia, optei por escutá-lo a ver o futebol.

No que pese sua desenvoltura para defender suas opiniões (que nem sei se posso dizer que são dele, pois o discurso é igual aos demais periféricos que já ouvi), mais uma vez o tom foram as críticas a polícia.

Houve uma peculiaridade que diferenciou a fala de Ferréz. Disse que os policiais militares são tristes. Francamente, de onde ele tirou essa pérola? Qual quartel que ele freqüentou que viu policiais tristes? Ou será que viu passar uma viatura com policiais abatidos e tristonhos?

As vezes tenho vontade de começar falar sobre periferia apenas pelo fato de ter feito patrulhamento com a viatura por lá. Já que eles tiram conclusões da PM com tanta convicção, somente por vê-la fazer o seu trabalho. E olha que eu até já morei na periferia, logo, falaria com mais propriedade do que eles da PM.

Carta emocinante do filho ao pai preso

segunda-feira, julho 28th, 2008

Tive acesso a uma carta enviada por um garoto aos policiais militares que desenvolvem o projeto “Faça esporte na PM”. Ele conta que enviou uma mensagem ao seu pai que está preso.

 

 

SP 28 de junho de 2008

 

Sou o Rafael, tenho 13 anos, tenho 4 irmãos e meu pai está preso há 5 anos, pois fez uma coisa muito horrível e tenho vergonha de contar.

 

Hoje tenho vergonha do meu pai. Antes eu achava que ele era o meu herói, pois tinha muitas armas e dizia: “Rafa, isso é pra polícia”.

 

Hoje, pra mim, ele é um verme, pois desde que foi preso nós só passamos fome, nosso barraco acabou tudo. Mas, graças aos policiais que ele me ensinou odiar, hoje temos cobertores, fogão e comida, pois nós estamos no “Esporte na PM”, que fez a gente conhecer a Dona Terezinha, que, junto deles, nos deram essas coisas.

 

Leia a carta que mandei ao meu pai:

 

Pai, eu, Rafinha; Joãozinho, Marcinha e Robertinha pedimos para o senhor nunca mais deixar ninguém matar os policiais.

 

Pai! Foi a polícia que deu essas coisas pra nós.

 

Pai, os vizinhos agora são nossos amigos. A Dona Terezinha foi de casa em casa pedir para os vizinhos não terem medo de nós, pois ela acredita que um dia o senhor vai mudar para o caminho do bem.

 

Pai, saia dessa, pelo amor de Deus, por que, senão, eu e meus irmãozinhos vamos embora por aí.

 

A mãe disse que o senhor está mudando, pois mude mesmo.

 

Adeus, do seu filho Rafa.

Revendo amigos em Campinas

quinta-feira, julho 3rd, 2008

Acabo de chegar de Campinas, cidade que fica no interior de São Paulo. Morei lá de 1998 a 2000. De vez em quando vou rever os amigos que lá ficaram.

Cidade do interior tem muitas vantagens. Embora Campinas esteja com uma população que já ultrapassou 1 milhão de habitantes, ela guarda algumas características típicas de pequenas cidades. Uma delas é reunir os amigos em pouco tempo.

Cheguei por volta das 11horas. Parei no bar do Savoy, antigo ponto de encontro dos policiais, e liguei para o Subtenente Odílio. Em menos de 15 minutos ele apareceu. Em seguida chegou o Yijider, parceirão de longa data. Fizemos a tradicional festa pelo reencontro e então o Odílio começou ligar para os demais amigos. –“Ô fulano, o sargento Lago esta aqui no Savoy”, dizia a cada ligação que fazia. Em menos de uma hora já estávamos reunidos em 15 amigos. Outros não vieram por estarem de serviço. ( Apenas o Fazani, que trabalha ao lado, aproveitou a hora de almoço para dar um abraço e voltar pro serviço). Passamos o dia inteiro relembrando histórias.

O Dr Rondinelli, que trabalhou com a gente como Soldado, também fez questão de dar uma passadinha por lá para dar um abraço, antes de ir para o seu compromisso no fórum.

No meio da tarde apareceu o De Souza e o seu violão. Então a prosa ficou musicada e se alongou até por volta das 21horas. Estava tão gostoso que vi alguns ligarem para arrumar substituto no bico.

São essas coisas que fazem a gente valorizar cada momento passado na Corporação. Os amigos são jóias preciosas que conquistamos. Um dia encerrará nossa atividade policial, como era o caso do De Souza e do “Shuwisco”, mas a amizade ficará guardada para sempre.

Queria fazer uma tatuagem

terça-feira, julho 1st, 2008

Estava assistindo uma novela quando vi um ator com uma tatuagem. Desejei ter uma igual, então fui saber qual seria o procedimento, custo e demais informações.

Ao chegar na Companhia, deparei-me com o capitão Aparecido Scrobat, o comandante, que recebeu minha continência devolvendo um abraço. Ele tinha esse hábito. Como meus pais moravam no Estado do RJ, aproveitei essa postura paterna do comandante e perguntei: “Capitão, decidi fazer uma tatuagem! O que o senhor acha? Com a mesma fisionomia alegre que havia me recebido, ele respondeu: “Muito legal, bacana mesmo!” Aliviado, sorri por entender que a minha decisão tinha a provação de uma pessoa mais experiente, logo, imaginei, meu pai também aprovaria. Porém, fui precipitado na minha conclusão, o oficial não havia concluído o seu comentário. Ele prosseguiu: “… Mas, e quando você tiver a minha idade, será que vai continuar sendo legal?” Desapontado, olhei pra ele e disse que não sabia.

Isso aconteceu por volta de 1985, quando estava iniciando o processo de popularização da tatuagem. Felizmente não segui no meu intento devido esse comentário do Capitão Aparecido Scrobat. Por que hoje tenho plena certeza de que não quero exibir uma tatuagem no meu corpo.

Eu sei que hoje é moda. Está mais difícil descobrir quem não tenha uma. Mas o que eu percebo é que a tatuagem tem estereotipado pessoas. Com algumas exceções de quem faz uma tatuagem pra tirar onda, uma boa parte tem usado para externar seus conflitos psicológicos. Quando mais extravagante, maior o conflito. Apesar de não ser psicólogo, tenho chegado a essa conclusão analisando tatuagens e tatuados.

Alguns pais, que eu ousaria chamar de inconseqüentes, apesar de não terem tatuagens, autorizam seus filhos adolescentes a fazerem uma, mesmo sabendo que eles mudam de opinião a cada instante. Fico imaginando… Se a moda acabar, o que será desse povo?

Engraçado mesmo foi a cena que vi hoje perto do metrô Santana. Uma moça, com uns 23 anos mais ou menos, trazia na altura do cóccix uma tatuagem com os dizeres: “Dircélia e Marcos”. O nome do Marcos estava um pouco borrado. Deu pra perceber que havia sido escrito em cima de outro nome que foi mal apagado. Se a Dircélia for uma pessoa volúvel em seus relacionamentos correrá o risco de ficar com o cóccix exposto.