Archive for abril, 2008

Trocando a vassoura pelo orkut

segunda-feira, abril 28th, 2008

Regularmente a praça coronel Fernando Prestes é lavada. Os funcionários da prefeitura chegam, ligam uma mangueira eletrizante e chuááá… Começam o trabalho. Isto é muito bom, pois, como em toda praça, moradores de rua se alojam nesses locais a noite para dormirem e, sem o devido cuidado com a higiene, acabam deixando com um mal odor.

O problema é que o trabalho é realizado todos os dias pontualmente às 12h30. Exatamente quando estudantes e trabalhadores estão aproveitando o frescor produzido pelas árvores, após o almoço, e recuperando as energias para o período da tarde.

Indaguei um gari sobre o procedimento e ele me disse que a ordem vinha da Subprefeitura Municipal da Sé.

Liguei para a subprefeitura e falei com o senhor Mário, que tem o cargo de vistor (não entendi direto o nome do cargo, mas na explicação entendi ser o responsável pelos serviços), e, gentilmente, informou que eles usam uma água reutilizada e que vem com desinfetante. O mais importante, disse que tomará providências para que seja feito o serviço em outro horário.

O que me deixou satisfeito nesse episódio foi saber que, como na Polícia Militar, os órgãos públicos estão conscientizados sobre a necessidade de um pronto atendimento ao consumidor.

Observei um fato interessante durante o trabalho dos garis. Enquanto dois faziam o serviço outros estavam tirando fotos com o celular - um dos outros - para colocar no orkut. Como tenho me ocupado nas horas de folga a ser um apreciador das cenas urbanas, saquei meu celular e também fiz uma foto para postar no blog.

Com essa evolução galopante da informação e da tecnologia, em breve os garis estarão evoluindo para o blog.

Abaixo postei um vídeo sobre a bonita praça Coronel Fernando Prestes, na Luz. O final da panorâmica da praça termina mostrando o prédio amarelo da Rota, na avenida Tiradentes.

Prata de ouro

domingo, abril 27th, 2008

As sextas-feiras, por volta das 19h00, quando saía do trabalho, eu passava na minha casa, pegava uma bolsa com algumas roupas e corria para a casa do Joel. Amigo tão chegado quanto a um irmão. Sem destino, íamos para a rodoviária do Tietê e lá definíamos para onde ir. Na maioria das vezes apenas com o dinheiro da ida.

Foi assim que nós dois nos aventuramos na juventude. Dos 16 aos 22, mais ou menos. Foi quando ele começou a namorar uma garotinha lá da vila dele. Uns cinco anos mais nova. No início do namoro chegamos viajar algumas vezes. Mas começou ficar sério, então preferiu não ir mais.

Tempos depois, se casaram. Fui o padrinho do casamento. Vi suas duas filhas nascerem e me respeitarem como tio. Aliás, o pai do Joel sempre brincou dizendo que éramos irmãos gêmeos, devido nossa afinidade.

Hoje, 25 anos depois, festejamos as bodas de prata do casal, numa chácara em Cotia/SP, uns 50 Km da Capital. Confesso que fiquei emocionado. Por ser o meu amigo a pessoa que é. Homem íntegro, trabalhador e fiel. Passou por muitos momentos difíceis, mas superou com determinação. A alegria deles me contagiou. Uma bonita história de amor.

O carvão e as pessoas

quinta-feira, abril 24th, 2008


Passo pela Praça Coronel Fernandes Prestes há 18 anos. Ela fica na frente do quartel do comando geral da PM, em São Paulo. Estava sendo transferido da Rota para a PM5, quando por lá passei pela primeira vez. Não me recordo, mas certamente não prestei a devida atenção em sua beleza. O foco estava na nova Unidade que iria trabalhar, logo, a concentração estava direcionada.

Hoje cheguei para o trabalho por volta das 07h40. Muito cedo para o início do expediente. Passei na padaria, pedi um pingado e um pão com manteiga, enquanto assistia pela TV o jornal matinal.

Faltavam 5 minutos para as 8 horas. Decidi entrar para o quartel, embora ainda fosse cedo, o que me obrigaria disputar espaço com os colegas no acanhado alojamento.

Ao iniciar a extensa travessia da praça percebi que corria o risco de ter que ficar na posição de sentido, pois a guarda do quartel já se posicionava para o hasteamento da Bandeira Nacional. Optei por esperar num canto afastado.

Sentado no banco da praça comecei observar detalhes que até então não tinham chamado minha atenção. As pessoas transitando. Os estilos mais variados. As fisionomias. Olhei para cima. Vi as folhas das árvores numa perspectiva bem interessante. As pessoas entrando no quartel. Os policiais da guarda marchando em “trenzinho”, após a formatura. Assistia a tudo com a calma de um veterano. Não estava aflito ou ansioso pelo novo dia de trabalho.

Quando o relógio marcou 8h18 decidi entrar. Calmamente percorri o trajeto em passos cadenciados. Cadência lentíssima, claro. À distância, fui cumprimentando os colegas.

No corredor do alojamento vi três companheiros de trabalho. Conversavam animadamente. Ao me aproximar, estendi a mão ao primeiro e o saudei. Só olhou para mim após estar segurando a minha mão. Os demais também me cumprimentaram, sem grandes emoções. Entrei no alojamento ouvindo prosseguirem na conversa, com o mesmo clima animado. Pensei, a convivência diminui o interesse. Não me importei, mas comecei pensar sobre as motivações das pessoas.

Ontem estava ouvindo uma pessoa do meu convívio reclamando que foi recebida friamente no antigo emprego onde era chefe e “amada” por todos.

Quando lancei o CD “De Polícia”, em 2000, ocupei espaço na mídia por um bom tempo. Quando chegava a lugares, era reconhecido por ter aparecido na TV, ou por alguma matéria no jornal. Nessa época, até quem não tinha amizade comigo arrumava pretexto para puxar um assunto. Era a curiosidade de saber um pouco sobre a pessoa que estava em evidência. Cheguei receber ligações de colegas que não tinha notícias há anos.

A mudança de prioridade na minha vida está me conduzindo a essas reflexões. Estou me sentindo muito bem. A maturidade aquieta a alma. Facilita entender e aceitar as regras da vida, tornando-a mais prazerosa.

Ao final da minha introspecção cheguei as seguintes conclusões: ter menos pressa e preocupações possibilita viver com mais qualidade. É como tomar uma sopa na temperatura ideal. Fica mais saborosa. Sobre o interesse das pessoas, descobri que a brasa que não está na fogueira se apaga. É assim também nas relações.

A terra tremeu

quarta-feira, abril 23rd, 2008

Eu achei que estava zonzo, ou algo parecido. Era 21h00 mais ou menos. Havia chegado do quartel e decidi ficar na sala assistindo o telejornal. Estava deitado de lado, com a cabeça encostada na mão. De repente senti o meu corpo indo pra frente, quase caí do sofá. Assustado, levantei pensando que era algo comigo. Aí, piorou porque tremeu de novo e fiquei sem sustentação… Rapidamente fui ao quarto e a minha mulher confirmou ter sentido o tremor. O fato de morarmos em um prédio muito alto aumentou o balanço da edificação. Pouco tempo depois veio a confirmação do terremoto.
Tomara que não haja outros, não é nada agradável.

Mulher, uma flor! - Poema

terça-feira, abril 22nd, 2008

A suavidade da pétala de uma rosa pode ficar vulnerável a quem tem a intenção de extraí-la, pois sua essência não é oferecer resistência, antes prefere oferecer o seu perfume; mas também não tem desejo de ser despetalada, por isso tem caule forte e com espinhos. Assim é a mulher: linda, perfumada e encantadora. Presta-se a ocupar o seu lugar na história com a força do seu trabalho. Sensível ao ponto de ser confundida como frágil, mas com estrutura firme que serve de esteio para suas conquistas. É essa mulher que os homens estão começando a conhecer.

Sargento Lago

Mulher, uma flor.

terça-feira, abril 22nd, 2008


No princípio era apenas uma costela, então, o Criador decidiu fazer dessa costela uma mulher. A partir daí começou a sua evolução, que se iniciou como adjutora e que hoje ocupa inclusive os postos mais elevados de uma nação.

No passado ela foi heroína na luta pela igualdade de direitos. Superou todos os reveses preconceituosos que a queria deixar inferiorizada. A sociedade arcaica resistiu para reconhecê-la. Sempre relegada ao papel de coadjuvante, precisou conquistar o respeito das pessoas por meio de muito trabalho e ousadia. Em alguns casos até com o sacrifício da própria vida.

A decantada alma feminina, que faz da mulher um ser sensível e meigo, capaz de se entregar ao seu amado e se dedicar aos filhos, também trás nos “opcionais de fábrica” a garra e a força dos grandes vencedores. Por isso ela - a despeito de ter sido marginalizada quando quis se posicionar na sociedade – chegou ao status atual, com gás de sobra, que sinaliza não ter esgotado sua capacidade de evoluir.

O seu potencial está evidenciado no mercado de trabalho pela capacidade de realizar as tarefas que até então eram destinadas aos homens.

Na política mundial elas despontam competindo com os homens e, em alguns casos, até ganhando, com a firmeza de grande líder.

Pesquisas recentes indicam que cresceu a participação de mulheres nos postos de trabalho nas melhores empresas no Brasil, incluindo cargos de chefia.

Na cenário nacional sua participação na política vem aumentando gradativamente. Hoje temos no país 4 ministras, 10 senadoras, 3 governadoras, 56 prefeitas e tantas outras nos demais cargos.

Até no militarismo, que tradicionalmente era reduto masculino, as barreiras estão definitivamente suplantadas.

Na PM paulista, que iniciou com 13 mulheres, hoje já são 10% do efetivo, em condições de realizar todas as atividades.

O reconhecimento da Corporação ao trabalho da mulher ficou evidenciado ao homenagear a primeira comandante do policiamento feminino, coronel Hilda Macedo, dando seu nome ao Comando de Policiamento de Área Metropolitano 3.

Em Rondônia uma mulher conseguiu o mais alto posto e tornou-se a comandante geral da polícia militar daquele Estado. Na Força Aérea Brasileira temos mulheres pilotando os aviões caças. Diante de todas essas conquistas fica claro que para a mulher o céu não é o limite.

Para atingir esse nível de evolução a mulher teve que superar até mesmo características da sua natureza. Teve que segurar os sintomas dos incômodos femininos para não ser vítima de clichês, nervos de aço, quando a vontade era de sentar num canto e chorar e decidir com firmeza em situações que sua emoção queria te trair. Por isso a sua vitória é mais saborosa, as exigências foram maiores.

A suavidade da pétala de uma rosa pode ficar vulnerável a quem tem a intenção de extraí-la, pois sua essência não é oferecer resistência, antes prefere oferecer o seu perfume; mas também não tem desejo de ser despetalada, por isso tem caule forte e com espinhos. Assim é a mulher: linda, perfumada e encantadora. Presta-se a ocupar o seu lugar na história com a força do seu trabalho. Sensível ao ponto de ser confundida como frágil, mas com estrutura firme que serve de esteio para suas conquistas. É essa mulher que os homens estão começando a conhecer.

F U I

segunda-feira, abril 21st, 2008

FUI!


É ruim, mas é bom

Quando a esperança rui

Sem perder o tom

Digo, fui!

O ideal incompreendido

Meu anseio dilui

Por não ser absorvido

Então, fui!

Crio pouco, mas é muito

Quando alguém não retribui

É lampejo fortuito

Por isso, fui!

Nada a lamentar

Mas se a arte não flui

Antes que me torne abismo de criar

Chega! Fui!

Saudades, sentirei talvez

Mas alguém contribui

Para minha acidez

Basta! Fui!

Não perderei meu nicho

Minha arte evolui

Fique com seu capricho

Fui!