Archive for março, 2008

Está chegando a hora

sexta-feira, março 28th, 2008

Meu trabalho musical está chegando ao amadurecimento. E vejo que 2008 é o ano que estava determinado para que essas coisas acontecessem, fruto de uma caminhada de 16 anos.

A partir de maio o meu novo CD, “Profissão Coragem”, estará nas lojas . Muitas coisas estarão desencadeando a partir desta data. Segundo minha empresária, Aparecida Machado, haverá divulgação em rádio e TV e entrarei numa rotina de shows.

Com isso, terei a oportunidade de mostrar o meu orgulho de ser policial. E, quem sabe, provocar diálogos reflexivos sobre a complexidade da atividade dos profissionais de segurança. Acho que merecemos um pouco mais de atenção por parte da sociedade. Criticar é fácil, apoiar, não.

Quero que você faça parte do êxito deste trabalho, como muitos já fazem. Não basta ter orgulho do que é nosso, temos que propagar isto. A partir da união somos fortalecidos.

O crime não compensa

quarta-feira, março 26th, 2008

A mensagem bíblica trás nos “Dez Mandamentos” ensinamentos que devem nortear o comportamento humano. Se fossem cumpridos, viveríamos uma sociedade justa, de paz e harmonia. Contudo, na prática vemos a prevalência das atitudes más. Da cobiça, da inveja, do ódio e da corrupção dos valores éticos e morais.

As cadeias estão lotadas. Outros tantos inquilinos não estão lá, um pouco pela falta de espaço no sistema carcerário, outro, por ineficiência da lei que permite válvulas de escape a sábios advogados, que livram poderosos da prisão.

Não tenho a pretensão de mapear as causas do crime, mas é notório que nossos governantes contribuem para que ele se prolifere. Os investimentos são mal geridos e aplicados em questões menos fundamentais. A preocupação maior está em mostrar resultados que tragam benefícios eleitorais. Bilhões vão pelos ralos com projetos que têm objetivos funestos, enquanto crianças e idosos morrem em hospitais por falta de recursos. Mães desesperadas vêem seus filhos chorar e não ter o alimento para servir, entre tantas outras mazelas.

Chego a ter pena dessas pessoas que desviam recursos públicos em detrimento de pobres miseráveis, um dia serão responsabilizados por isso. “A quem muito é dado, muito também será cobrado”.

Se as pessoas controlassem seus impulsos, certamente não cometeriam crimes.

Quando alguém rouba é porque alimentou em seu coração o desejo de possuir algo, sem a paciência de esperar e conseguir por meios lícitos.

Também se livra da prática do delito quem evita as más companhias. Algumas conversas são encorajadoras, tanto para o bem, quanto para o mal.

Se quer ser bem sucedido em seus projetos, procure aproximar-se de pessoas que lhes dará essa condição, ainda que seja apenas um sorriso como incentivo a prosseguir na sua luta.

Isso não quer dizer que deva fazer acepção de pessoas. Às menos favorecidas, seja o incentivo que precisam para chegar ao seu estágio. Mas, a elas você vai apenas fornecer; não receba o que elas têm, senão, regredirá.

O crime não compensa. Outra vez digo: o crime não compensa.

Não se iluda com as coisas fáceis que vêm de forma fraudulenta. Nem com vinganças que geram mortes. Elas não restituem o que as motivou.

Só sabe o valor da liberdade quem a perdeu. Mas, um exercício é muito eficaz para que se tenha a noção do que é perder algo muito importante.

Toda vez que você cogitar em sua mente uma ação que pode trazer desdobramentos negativos, faça o seguinte: Imagine algo que goste muito. Um doce, uma pessoa, um hobby, sexo, viagem, seja o que for. Então, após imaginar isso, proponha em sua mente que ficará sem ela por um período. Pode ser por um tempo mínimo. Um ano, por exemplo. Acrescente ainda que essa decisão vai causar um mal estar em sua família e amigos. Pode inclusive sair no jornal. Pessoas que nem te conhecem irão te julgar dizendo coisas absurdas ao seu respeito. E, por causa disso, terá que conviver, confinado em um ambiente, com pessoas que nunca viu antes. Com costumes diferentes do seu. Com regras mais rígidas que as que se recusa a obedecer e com punições que podem chegar à morte. E, se ainda assim, você conseguir se livrar, restarão como conseqüência seqüelas que lhe acompanharão para o resto da sua vida, inclusive de rejeição por parte da sociedade.

Depois de refletir sobre isso, que na verdade é muito inferior ao que acontece na prática - a teoria sempre está distante dela - eu pergunto: você acha que vale a pena cometer um delito?

Ah! Outra lembrança. Nunca aja contando com a sorte. Ela é abstrata e muito rara. Aparece quando não estamos esperando, logo, quando contamos com ela, certamente falha.

PS. Esse texto está inserido no livro que estou escrevendo, com o título: Rota dos Destinos.

.

Amigo do sol, amigo da lua

segunda-feira, março 24th, 2008


Benito di Paula foi o primeiro artista que contatei. Era um sonho de adolescência. Época da minha vida em que comecei ouvir o cantor e nunca mais parei.

Depois de falar algumas vezes ao telefone com a Aparecida, sua empresária, num momento em que eu não esperava, ela transferiu a ligação para o cantor. Confesso que a emoção foi tão grande que precisei sentar para continuar a conversa.

O meu maior desejo como jornalista seria entrevista-lo, exatamente para ter o privilégio de estar com ele.

Quando iniciamos a conversa, expliquei a minha emoção, respirei fundo e expus a idéia. Disse que pretendia gravar um CD e queria sua participação, contudo, não sabia exatamente quando iria acontecer por falta de recursos financeiros. Benito foi tão categórico em afirmar que eu conseguiria os recursos que cheguei a pensar que ele me ajudaria nessa empreitada, mas ele estava usando a sua fé de acreditar nas realizações que são bem intencionadas, e que agora vejo que deu certo, consegui.

A música que cantaríamos seria “Vai Melhorar”, mas por questões de agenda e dificuldades para conciliar também a agenda do piano que ele tocaria, mudamos para “Démodé”.

Antes de mudar a música, estava um dia trafegando pela Marginal Tietê, cheio de pressa, pois tinha saído do estúdio na Zona Oeste e estava indo para a Zona Leste buscar dois músicos para gravar, quando o celular tocou. Confesso que nem parei o carro para atender, como faz a maioria das pessoas e que está errado, é infração de trânsito, por isso, não reconheci a voz inconfundível dele.

- Oi Lago, tudo bem?

- Sim, quem fala?

- É o Benito.

Na hora caiu a ficha. Estacionei o carro num posto de gasolina. Ele estava ao piano me perguntando detalhes da música. Como a bateria do celular estava acabando, avisei que retornaria a ligação em seguida. Chegando em casa liguei. Foi outra emoção. Eu e Benito ao telefone, ele tocando piano e eu, violão.

Após dois anos do primeiro contato, hoje tenho o privilégio e a satisfação em dizer que gozo da sua amizade.

O que me deixou muito feliz foi saber que o artista que admirei durante anos era digno dela. Benito é uma pessoa muito generosa. É um bom amigo… E canta muuuuito.

Determinação é fundamental

domingo, março 23rd, 2008

Em 2004 decidi que gravaria outro CD. Tinha muitas músicas e achei que não seria justo deixa-las esquecidas.

O desafio seria enorme. Agora estava sozinho e com poucos recursos. Não sabia por onde começar.

Após definir o repertório, comecei fazer contatos pela internet e descobri o Samambaia, baixista da banda de reggae Planta e Raiz. Foi por meio de seu interesse em fazer minha gravação que tudo começou.

Em seu estúdio gravamos a maioria das músicas. Lá também foram meus convidados: Jair, Benito, Dominguinhos, Patrícia Coelho e, claro, o próprio Planta e Raiz.

Aliás, aqui vale um comentário. Confesso que estava meio desantenado do que estava tocando nas rádios e por isso não conhecia o Planta. Confesso que, ao saber o sucesso que faziam, fiquei admirado pela gentileza e humildade de toda a banda. Não só me ajudaram, mas torceram por mim. Muito legal isso. O Kiko, empresário da banda, tem uma postura de irmão mais velho dos rapazes e, com isso, cria uma atmosfera favorável para o desempenho de um trabalho sério. Eles exalam um aroma agradável de profissionalismo. São do bem.

Com esse ponta pé inicial me senti encorajado a prosseguir no meu ideal. Claro que tive momentos difíceis. Tinha hora que nada parecia dar certo, mas devagarzinho as coisas foram ajeitando.

Contar com as participações de muitos artistas também contribuíram para a demora. Dependia da agenda livre deles, mas valeu à pena esperar.

Hoje, prestes a lançar esse trabalho, trago comigo a felicidade da realização e escrevo mais uma página da minha história onde a determinação foi fundamental para conseguir esse êxito. As coisas parecem fáceis aos olhos de quem vê a distância, mas depois de realizadas também a mim parecem fáceis. Mas não foram.

Um sonho que tournou-se realidade

sábado, março 22nd, 2008

O sonho de cantar a rotina policial nasceu em meu coração em 1992.


O capitão Rivaldo era o meu chefe na central de vídeo da PM5 (relações públicas) quando iniciamos nossa parceria musical. Eu o conhecia das rodas de samba que eu participava na Associação Desportiva Polícia Militar (ADPM) ou no barzinho do capitão Ernesto, na Zona Norte da cidade. Embora ele não fosse sambista, não podia ver uma reunião de pessoas fazendo um som que se aproximava. Assim, quando veio ser meu chefe, já nos conhecíamos, embora não tivéssemos amizade.


Trabalhando juntos, os momentos de tocarmos um violão no final do trabalho começaram ser freqüentes.


Em um sábado à tarde liguei para casa dele e sugeri compormos uma canção que falasse da PM, sem que fosse em ritmo de marcha.


Na segunda–feira à noite nos encontramos na Rua Afonso Pena, Nº 45, no Bom Retiro. Eu estava de férias e cuidava de um bar e restaurante que havia arrendado nesse endereço, que ficava ao lado do QCG. Ele chegou com o papel que havia escrito a letra. Sequer passou a limpo. Então, fomos para uma mesa que ficava num canto e comecei musicar a letra. Parecia já existir aquela melodia com aquela letra, tamanha a naturalidade que ela veio.


Tempos depois fizemos o “Rap da PM” e depois “Mulher Policial”.


Fui fazer um vídeo para a polícia feminina e decidi que deveria ter uma música para elas. Liguei para o meu parceiro e fiz a encomenda. Mas tinha que ser logo, por causa do prazo curto. Então ele fez de bate - pronto. Horas depois recebi sua ligação de volta. Tenho até hoje a fita gravada com a voz dele me passando a letra.


Em 1998 resolvi gravar um CD com canções que retratassem a rotina policial. Preparei o projeto, coloquei o título de todas as músicas e os temas e comecei compor as canções. Num dado momento, descobri que seria muito mais interessante se tivesse um parceiro. Logo o Rivaldo já estava comigo nessa empreitada.

Ficamos dois anos gravando o CD. Em 2000 fizemos o lançamento. Foi um sucesso. Novidade no mercado. Fomos notícia em mais de 80 órgãos de imprensa.


Com a passagem para a inatividade, meu parceiro preferiu encerrar sua participação no projeto.


Nos atentados aos EUA em 2001 fiz a canção “Busque a Paz” e me apresentei em dois eventos em homenagem aos policiais e bombeiros mortos naquele acontecimento. Dei início então a carreira solo.

Profissão Coragem

sexta-feira, março 21st, 2008

Resposta do Sgt Lago ao Walcyr Carrasco

quarta-feira, março 19th, 2008

De: samueldolago@uol.com.br
Para: karras
Data: 18/08/2002 11:16
Assunto:

Caro Walcyr Carrasco,

Foi com grata satisfação que recebi seu e-mail. Contudo, cabe-me esclarecer um mal-entendido. Apesar de me colocar como sendo o personagem que motivou sua crônica “Pequenos abusos”, na verdade, sou apenas um policial que – como “aquele” – também já cometeu alguns pequenos abusos. Como gosto de escrever aproveitei para dar uma possível justificativa que ele poderia dar. Nem por isso concordo com àquela atitude.

Acredito em críticas sinceras, como a sua, que visa melhorar a convivência social. Diferente de outras que apenas tem a intenção de autopromoção em detrimento de toda uma instituição séria que, como você mesmo sabe, às vezes, para cumprir seu papel vê seus integrantes sacrificando a própria vida.

Confesso que fiquei orgulhoso de sua resposta e a mostrei para todos meus companheiros do quartel (do soldado ao coronel). Principalmente, onde sou incentivado a escrever minhas memórias como policial.

Gostaria também de dizer que sou seu fã e que sempre estou lendo algum texto seu. Aliás, você escreve com muito jeito.

Receba o meu abraço. Você conquistou um amigo.

Sargento PM Lago